Reflexão de uma Mulher que não quer filhos!

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Reflexão de uma Mulher que não quer filhos!

“Ser mulher é um verdadeiro CU.”
Desculpem-me as impolutas, mas é exatamente isso o que sinto nessa saga feminina que me foi ‘imposta’.
E eu poderia citar uma centena de motivos capazes de justificar meu raciocínio, mas, vou me ater ao principal – a concepção/contracepção:
São mais de 20 anos sendo bombardeada por hormônios que me permitem decidir sobre quando meu útero subversivo vai ou não engravidar. Não é segredo para a maioria dos que me conhecem, que filhos não estão nos meus planos.
Então, todo mês a mulher menstrua, sofre horrores com tpm, calafrios, cólicas, etc. Toma o anticoncepcional – não pode esquecer um dia – e sofre mais com os hormônios invadindo seu corpo, causando distúrbios, desconfortos, dores, problemas. Pausa 7 dias e menstrua novamente – se tudo der certo!
Cansada e preocupada com o anticoncepcional, a ‘desorientada mulher’ vai, ao milésimo gineco atrás de uma orientação. Encontra um que ‘enfia’ em sua cabeça que o DIU é a melhor opção. Mas, essa mulher conhece outras duas mulheres que engravidaram usando o tal dispositivo e decide que não compensa trocar os 20 anos da ‘segurança’ do anticoncepcional pela incerteza do DIU. E continua tomando a pílula combinada.
Cerca de 7 anos depois volta, a ‘pobre mulher’ a outro ginecologista em busca de uma nova solução que a impeça de engravidar sem causar tantos danos. Durante a conversa, o médico diz que, por ter enxaqueca e ser fumante, o risco de trombose é elevadíssimo. Por ser pré-hipertensa e ter tido alterações tireoidianas há algum tempo atrás então, Deus a livre da pílula combinada, e que é só por Ele que a ‘sofredora mulher’ não sucumbiu ainda.
E, conversa vai e vem, decidem, médico e mulher, que a melhor opção neste caso seria a minipílula. A mulher fica feliz, pensa: baixa dosagem de hormônios, menores efeitos colaterais e recomeça na saga de tentar não engravidar tomando a pilulinha por 3 meses. Ótimo. Só que não. Findando os 3 meses ela descobre que seu aumento de peso (3kg extras) e sua queda de cabelo absurda (tipo 1000 fios/dia) é, mais que provavelmente culpa da ‘inofensiva’ pílula.
Ok. Nisso, a já ‘louca mulher’ se vê gorda e careca (sim, porque é inerente ao nosso gênero ver tudo sob a ótica de uma imensa lente de aumento).
Ela quer fazer uma cirurgia para não ter filhos, mas não pode, porque desde os primórdios escuta que irá se arrepender… E mais: nenhum médico aceita operar uma mulher que não tenha tido ao menos dois filhos… Raciocínio ilógico: preciso ter dois filhos para enfim conseguir operar para não ter filhos…
Agora, a ‘paranóica mulher’ se vê gorda, careca e apavorada – o que fará para evitar a concepção?
“Ah, seu marido pode operar.”
Pode, mas sinto-me obrigada a dizer, que embora ele concorde, eu não me sinto à vontade em decidir absolutamente nada sobre seu corpo, além do que, ninguém sabe do amanhã e eu me sentiria muito mais à vontade podendo decidir sobre o que fazer com o MEU corpo.
Então, vamos marcar novos ginecologistas, endocrinologistas (para ter certeza novamente que nada disso é alteração na tireóide), vamos novamente ao psiquiatra para que ele me acalme e me coloque novamente no prumo, vamos ao cardiologista, fazer os exames e ver se está tudo ok, se não há alterações capazes de causar aumento de peso e queda de cabelo.
E vamos, e vamos, e vamos…

Nunca entendi tão claramente quanto agora, a frase de Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher, torna-se.”
Fui tornada mulher pela vida.
Nunca tive grande apreço pela maquiagem. Por sapatos de salto alto. Por vestidos ou saias. Por cremes. Por modos. Por não falar palavrão. Por levar bronca por sair sozinha à noite. Por ser meiga. Por ser mãe. Droga.

E não me venha com a conversa de que a ordem natural da vida é procriar. Não me diga que a mulher só se realiza realmente quando se torna mãe. Tampouco diga ser absurdo – quase heresia – que com tantas mulheres que sonham em engravidar mas não conseguem, eu ‘dispense’ esse dom. Ah, e também não me venha com aquela pergunta absurda: “ Então você abortaria se engravidasse?” Não, não abortaria. Não hoje. Sou casada há 16 anos e sempre fui consciente de que mesmo tomando todos os cuidados, uma hora posso me descobrir grávida. Sim, eu teria o bebê. Pararia de fumar, de beber (ao menos por um bom tempo), me cuidaria, seria uma boa mãe, eu acredito.

Respeito as dores e frustrações do outro. Me compadeço dos problemas do outro. Ajudo-o em tudo que me for capaz. Mas, falo de mim. Falo da minha vida. Dos meus dilemas…
E falo ainda mais por ser constantemente invadida por raciocínios, dúvidas, pensamentos e me permitir experimentar, cada um deles em seu âmago.

Hoje estou assim, ‘profundamente ficando louca’, já sem saber o que fazer para seguir minha vida da maneira que escolhi pra mim – sem filhos.

Texto by Nani Beta (filósofa e minha patroa)

foto by me.

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